coronavírus

No litoral paulista, moradores fecham acesso às praias

Movimento liderado por maioria caiçara tem bloqueado vias para impedir que coronavírus chegue a comunidades isoladas

POR: Terra
Vista aérea registrada com drone da região de Ilhabela, na microrregião de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo.
Carlos Nardi / Estadão Conteúdo

Moradores que vivem nas praias do Litoral Norte de SP, em sua maioria, caiçaras, estão tentando restringir cada vez mais o acesso de visitantes fazendo barreiras improvisadas durante a quarentena implantada pelo estado devido à pandemia do novo coronavírus. O movimento, que teve início em comunidades isoladas como Bonete e Castelhanos, em Ilhabela, se espalhou pelas demais praias da região. O motivo é impedir que a doença possa chegar até essas comunidades isoladas e praias.

As prefeituras da região litorânea proibiram o uso das praias por decreto, mas os veranistas buscam frequentar a região durante o feriado, inclusive para a prática do surfe, que também está proibido.

Em Ilhabela, onde a prefeitura proibiu a entrada de veranistas pela travessia de balsas, agentes da defesa civil começaram neste sábado (11), a percorrer praias e píeres para impedir que visitantes cheguem à ilha em embarcações. Em praias como Picinguaba, Fortaleza, Ubatumirim e Estaleiros, em Ubatuba, os moradores fizeram cancelas proibindo a entrada de veículos.

Em Barra do Sahu e Barra do Uma, na costa sul de São Sebastião, os acessos às praias também foram fechados pelos habitantes da cidade. Na sexta-feira santa, era possível ver banhistas na praia da Baleia, a maioria veranistas que ocupam os condomínios à beira mar durante a quarentena. Segundo estimativa feita pelo prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto, cerca de 40 mil pessoas foram cumprir o período de quarentena no município.

O grande número de veranistas prejudicou até mesmo a campanha de vacinação contra a gripe Influenza em alguns bairros, como Barequeçaba. Segundo a prefeitura, dezenas de veranistas hospedados na praia do Guaecá foram até o postinho do bairro para tomarem a vacina, que chegou a faltar para os moradores do local. A prefeitura tem colocado viaturas da Guarda Civil Municipal (GCM), caminhões e até tratores para retirar os banhistas de praias como Baleia e Juquehy.

Em Maresias, a praia mais badalada da costa sul de São Sebastião, a prefeitura bloqueou os acesso com areia para impedir principalmente que surfistas da capital possam utilizar o local. Neste sábado, moradores da costa sul também se dirigiram à costa para retirar os banhistas. A ação teve inicio na praia da barra do Sahy e, segundo relatos dos habitantes, contou com o apoio da GCM.

Na sexta, moradores fecharam os cinco acessos à praia, mas um deles foi rompido por veranistas nesta manhã. "Os veranistas continuam desacatando as determinações. Por isso, decidimos percorrer as praias e pedir para que eles evitem frequentá-las durante a quarentena. A maioria tem acatado e deixado o local", disse Graciano Filho, morador de Barra do Sahy.

Segundo ele, um grupo de caiçaras deve percorrer outras praias neste sábado para conscientizar os veranistas.

A polícia militar chegou a ser alertada sobre um possível confronto entre caiçaras e veranistas, mas Graciano Filho descartou essa possibilidade. "Vai ser tudo numa boa, sem qualquer tipo de violência ou agressão. Vamos conscientizar todos eles (veranistas) de que, neste momento de pandemia, é importante evitar o uso das praias", disse.

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