No DF

Mãe rolou em poça para tentar salvar filhos de incêndio

Ela estava fora de casa quando as chamas começaram, em Samambaia, no Distrito Federal

POR: Metrópoles
Casa em Samambaia onde aconteceu o incêndio que matou uma criança
Michael Melo/Metrópoles

Nesta segunda-feira (24), os moradores do Conjunto 17 da QR 425 de Samambaia, no Distrito Federal, amanheceram incrédulos com a noite de terror que viveram. Um incêndio, por volta das 20h desse domingo (23), tomou conta de uma casa no local, matou uma criança e deixou três integrantes da família com queimaduras graves.

“A rua não dormiu esta noite. Não dá para acreditar que uma criança, com a vida inteira pela frente, possa ter morrido dessa forma tão trágica”, disse a vizinha da família, do portão de frente, que preferiu não se identificar.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), cinco pessoas receberam atendimento — quatro delas estavam dentro da residência. Daniel Pereira Lopes, 35 anos, teve 95% do corpo queimado. Uma bebê de seis meses sofreu queimadura de 2° grau no rosto e braço. Uma criança de 2 anos estava com 70% do corpo queimado.

E outra menina, identificada como Kyara Pereira, 1 ano, morreu no local. A mãe das crianças, Romária Pereira da Silva, 31, estava em estado de choque. Primeiramente, todos foram transportados para o Hospital Regional de Taguatinga. Depois, Daniel seguiu para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), enquanto os dois menores tiveram que ser internados na UTI neonatal do Hospital de Base.

Daniel é pai da bebê e padrasto das outras crianças.

A residência teve quatro cômodos totalmente queimados: sala, cozinha e dois quartos.

Fogo e chuva

Os moradores da rua tentaram apagar as chamas que consumiram o imóvel. Segundo a vizinha, chovia muito no momento em que o fogo começou.

“Senti um cheiro forte de fumaça e pensei que pudesse ser da minha casa. Quando saímos no portão, vimos aquela fumaça densa e escura na casa deles. Foi desesperador. A vizinha de porta acordou com o cheiro e não parava de gritar pedindo por socorro”, lembra.

No mesmo momento, a mãe da criança vinha andando na rua e foi avisada de que a casa estava pegando fogo. “Começamos a bater forte no portão por imaginar que as crianças estavam lá dentro. A mãe rolava na água da chuva no asfalto para se molhar e entrar dentro da casa”, diz a vizinha.

Os moradores, então, quebraram um cano da caixa d’água para facilitar o acesso ao líquido. Todos apontaram as mangueiras que tinham em casa para o local, na tentativa de apagar as chamas.”

Outro vizinho, que também não quis revelar a identidade, comentou que o homem que estava lá dentro, pai da bebê de seis meses e padastro das demais crianças, conseguiu abrir o portão e saiu bem queimado.

“Os bombeiros demoraram. A mãe queria entrar, mas nós não deixamos. Uma cena triste. Quando entramos na casa, a menina de 1 anos estava caída de bruços, com as mãozinhas no rosto, próxima à porta, como quem tivesse tentado sair, mas não conseguiu”, conta. Ainda segundo ele, houve muita gritaria. “Estamos todos estarrecidos com essa tragédia. É muita tristeza tudo o que presenciamos”.

Rotina da casa

Ainda segundo os vizinhos, os pais costumavam sair e deixar os filhos sozinhos. Há informações de que quatro crianças moravam no endereço, mas, no momento do incêndio, apenas três estavam em casa.

A polícia confirmou que os menores estavam desacompanhados quando as chamas começaram. Uma das moradoras da rua afirma que Daniel realmente estava fora da residência e teria chegado durante o fogo. “Era comum eles saírem e as crianças ficarem só. Sempre víamos o casal junto”, diz a vizinha.

Ainda não há informações sobre a causa das chamas. As perícias da CBMDF e do Instituto de Criminalística da Polícia Civil (PCDF) foram realizadas entre a noite desse domingo (23/02/2020) e a madrugada desta segunda-feira (24/02/2020).

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