SÃO PAULO

Chaves - O Musical terá episódio inédito escrito por brasileira

Peça, que entra em cartaz no dia 23 de agosto no Teatro Opus

POR: R7
'Chaves - Um Tributo Musical' estreia em 23 de agosto
Reprodução

Quem já maratonou todas as temporadas de Chaves exibidas na televisão brasileira desde a década de 1980 e não via o momento de assistir algo novo sobre o seriado mexicano, pode comemorar: a peça Chaves -  Um Tributo Musical terá um episódio inédito escrito pela diretora musical Fernanda Maia.

Mantido em segredo até a estreia e sem pistas sobre o tema que abordará, o texto foi aprovado pelo Grupo Chespirito, que administra os direitos autorais da obra de Roberto Gomez Bolaños, criador e protagonista de Chaves.

Segundo Zé Henrique de Paula, diretor-geral do espetáculo, que estreia em 23 de agosto no Teatro Opus, em São Paulo, a ideia era ser atraente tanto para o fã da atração de TV, quanto para o público que costuma frequentar musicais, mas sem descaracterizar o produto original. "Tivemos a ideia de levar Chaves para os palcos ainda em 2016. Nesses três anos de dicussões e negociações, chegamos ao formato que deveríamos apresentar no teatro. Não podia ser só mais do mesmo daquilo tudo que já vimos na TV", analisa.

A montagem mistura coreografias, músicas, homenagens a Bolaños e também presta tributo ao circo e ao Palhaço Benjamim, o primeiro do Brasil. "Bolaños era um dos melhores palhaços da geração dele no mundo. Como trata-se de uma peça que o homenageia, queríamos inserir esse universo lúdico para melhor contar a história dele e contextualizar o que influencia a arte do mexicano", explica Zé Henrique.

No teatro, a vila do personagem foi reproduzida com bastante fidelidade. E o mesmo se aplicou aos personagens e figurinos, que foram avaliados de perto por um dos assistentes de Bolaños, conhecido como "Seu Heriberto".

Zé Henrique admite que a seleção de elenco foi um verdadeiro desafio, porque os curadores da obra exigiam certas especificidades físicas que não poderiam ser ignoradas de maneira alguma entre os atores. "O Chaves, por exemplo, precisa ter entre 1,60m e 1,64m. Isso porque eles exigem que as diferenças de altura e tipos físicos que vemos na série sejam respeitadas também no teatro", observa. "Mas apesar de ser algo inegociável, foi interessante avaliar tantos atores com biotipos diferentes, conhecer gente nova na área", explica.

Um dos mais impressionantes em relação à similaridade é Diego Velloso, que interpreta o Quico. O ator, que já participou de O Fantasma da Ópera (2018-2019) e Les Miserábles (2017), diz que era comparado ao mimado filho de Dona Florinda desde a infância. E foi por isso que ele desenvolveu a técnica de inflar as bochechas sem usar nenhum tipo de enchimento, mesmo método adotado por Carlos Villagrán. "Cheguei no teste e perguntei se podia mostrar essa técnica. Como também fui notando a forma como o Quico se movimenta e fala ao longo dos anos, a interpretação já estava bastante avançada", comenta ele.

O caso, no entanto, não é o mesmo de Patrick Amstalden, o Professor Girafales. Apesar da altura elevada, ele jura nunca ter sido comparado ao ator Ruben Aguirré. "Nunca. Juro. Mas ao me transformar no personagem e deixar o bigode, notei que tinha semelhanças suficientes para ser o Girafales na peça", comenta o ator que, no entanto, é bem mais jovem que o mexicano na época da série.

Mateus Ribeiro interpreta o Chaves e Fabiano Augusto foi escalado para o papel de Roberto Bolaños, que funciona como uma espécie de narrador da peça. O ator, eternizado pela campanha comercial da Casas Bahia em que perguntava "Quer pagar quanto?", enxerga nesse trabalho um dos maiores desafios da carreira. "Tem sido um desafio ainda. Não superei. Porque trata-se da série que eu assistia na infância e de um autor que admiro. Fora que tenho a responsabilidade de ser não só o narrador, mas o personagem que é homenageado e criador de tudo que vemos no palco. É o centro das atenções", admite.

Já Maria Clara Manesco é dona da história mais inusitada da escalação do musical. Segundo a atriz, o teste inicial era para fazer a personagem Dona Clotilde, que acabou ficando com Andrezza Massei. No entanto, ela mostrou potencial para outro papel e ganhou a vaga para ser Dona Florinda e a Pópis (que no seriado eram interpretadas por Florinda Meza). "Vim para fazer um papel e acabei em outro. Florinda é uma personagem que sempre dividiu o público. Ao mesmo tempo em que ela pode ser considerada agressiva, é uma mulher doce, que cuida do filho sozinha e sonha com o amor. Basicamente são as diferenças que o ser humano carrega mesmo", analisa.

Além desses atores, o elenco ainda é formado por Carol Costa (Chiquinha), André Pottes (Seu Madruga), Ettore Veríssimo (Seu Barriga e Nhonho) e Milton Filho (Palhaço Benjamim).

Retrato da América Latina

Zé Henrique de Paula e Fernanda Maia creditam o sucesso de Chaves por quase 50 anos à acertada abordagem social e humorística do seriado. Segundo eles, Bolaños soube transferir para a tela toda a doçura de seu texto e visão de mundo, mas sem deixar de expôr as dificuldades do povo latino-americano.

Tanto que os personagens de Chaves são minorias oprimidas socialmente. O protagonista é um órfão. Dona Florinda, uma viúva que cria o filho sozinha. Já seu Madruga, por outro lado, é um desempregado que deve o aluguel.

Mas todos convivem — apesar das sucessivas confusões que enfrentam. "Não tem como algumas coisas feitas naquela época não serem consideradas inadequadas na atualidade. Isso não quer dizer que a obra tenha perdido seu valor. Ela é produto de outra geração, de outro tempo. Mas a durabilidade, mesmo em uma época de produções com ritmos e abordagens bem diferentes, demonstram que Chaves é algo fora do comum e atemporal", explica Zé Henrique.

Os diretores também concordam sobre a genialidade de Bolaños, morto em 2014, aos 85 anos. Para eles, ator, cantor, comediante, compositor, desenhista, diretor, dramaturgo, engenheiro, escritor, humorista, pintor, poeta, produtor, publicitário e roteirista mexicano é um homem raro na TV mundial. "Ele tinha uma abordagem diferenciada para fazer humor. Era inocente, sem ser vazio. Era romântico, mas por vezes também expunha a tragédia e a tristeza. Só que com uma sensibilidade fora do comum", analisa Zé.

chaves Grupo Chespirito musical Roberto Gomez Bolaños

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