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A luta de uma deputada afegã contra os talibãs

Muitas mulheres temem o retorno da opressão da década de 1990, quando os talibãs lhes proibiram o acesso à educação e ao trabalho

POR: Isto É
Deputada afegã Fawzia Koofi em 18 de fevereiro de 2019 em sua casa de Cabul
AFP/Arquivos

Fawzia Koofi não hesitou em se encontrar com os talibãs, depois que, no passado, eles prenderam seu marido, a ameaçaram com o apedrejamento por pintar as unhas e tentaram assassiná-la quando ela se tornou deputada e defensora dos direitos das mulheres.

Esta pioneira na política, mãe de duas filhas, não podia perder a oportunidade de lhes dizer o que pensa, que a sua misoginia e preconceito nunca mais encontrarão mais raízes no Afeganistão.

“Não é que eu quisesse fazer isso, mas fiz pelas mulheres do Afeganistão”, disse ela à AFP em sua casa em Cabul.

“Senti-me poderosa. A sala estava cheia de gente, todos homens. Para mim foi importante estar visível e que a minha mensagem para eles fosse clara”, acrescenta.

Apenas duas mulheres foram convidadas a participar desta reunião informal no início de fevereiro entre os talibãs e membros da oposição afegã em um hotel em Moscou.

Essas negociações não incluíram os Estados Unidos, um país com o qual o Talibã vem negociando há meses.

Washington quer acabar com mais de 17 anos de guerra no Afeganistão, mas muitos afegãos temem que uma retirada apressada ou um acordo leve com os insurgentes ao retorno de um regime repressivo ou a uma guerra civil.

Muitas mulheres temem o retorno da opressão da década de 1990, quando os talibãs lhes proibiram o acesso à educação e ao trabalho, e obrigaram-nas a usar a burca.

A reunião em Moscou deu origem a uma cena inimaginável anos atrás. Os mulás escutaram em silêncio enquanto Koofi defendia o direito de suas filhas viverem no Afeganistão moderno.

As afegãs estão “muito mais conectadas hoje”. Elas não permitirão que “lhes mudem de época”, lembra de ter dito a eles.

– “Brincalhona” –

Um dos passageiros do voo para Moscou, no qual Koofi estava viajando, era o chefe do departamento de vícios e virtudes do Talebã, a temível polícia moral que percorria as ruas em caminhões e açoitava mulheres suspeitas de indecência.

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